Uma história de amor anarquista

Uma história de amor anarquista: Recentemente um dos homens que amo e que com quem por acaso convivo intensamente há mais de um ano me pediu em casamento. Do jeito dele, não tão romântico como você deve estar imaginando, mas muito presente. Ele costuma ser calmo e presente, tem paciência. Digo 'um dos homens' que amo muito, pois quando estou em estados de amar a quem quer que seja (não é toda hora), aproveito o entusiasmo e amo tudo de uma vez. Claro que tem alguns com mais afinidade, principalmente quando abro os olhos e paro de dançar ou meditar e vejo que não é assim tão facil amar todo mundo. Nada facil, por sinal. E bom, principalmente depois desse pedido de casamento, minhas dores como mulher se intensificaram. Talvez por padrões ancestrais ou de vidas passadas relacionados à guerra dos sexos. Minhas índias interiores querendo vários maridos, os medos, os traumas, as caixas onde essa sociedade miserável quer encaixar a gente. Talvez as dores aumentaram por outra coisa também, além do medo de amor, do achar que não mereço ser feliz por causa dos erros que cometi... As dores aumentaram com a chegada do campo energético do casamento porque eu comecei a achar ainda mais que ele, esse homem com quem convivo, é meu. Que coisa horrorosa é achar que alguém te pertence. Isso dói. E é chato. E toma conta. Até que você acha que você se pertence, que qualquer coisa te pertence, até que você acha que você existe, que alguém te odeia, que você criou algo, que é dono, tem inimigos, diplomado, casado, profissional, pai, mãe, doutor, proprietário, limitado, rotulado... em vez de se dissolver no nada, que é o amor, a cura, ser. se permitir ser instrumento. simples. mas dificil. se você sofre porque não tem algo, por exemplo um namorado, vai sofrer quando tiver. Daí, em meio aos meus sofrimentos pré-nupiciais e idéias de meu, estávamos na casa linda de um amigo, que é outro homem que amo, mas que não é meu também. E eles multi-instrumentistas tocavam música maravilhosa mantrica (ou tantrica). E eu dancei. Nossa, é verdade. Quando danço, e também quando trabalho (por isso gosto tanto de trabalhar como canal) esqueço de mim. Abandono todas essas inutilidades que penso, e viro por uns instantes abençoados só um canal do que tiver que dançar ou falar ou chegar em mim. E dancei. E veio um êxtase, uma paz. Uma conexão com tudo. O nada. O coração palco pras divindades mais auspiciosas pisarem. O efeito da vida as vezes me acontece quando danço. E tempo depois da experiência fora do tempo me sentei de novo naquele mesmo lugar onde estava antes chata, e olhei pro tal do futuro marido... E o desconheci completamente, ainda meio em êxtase de dançarina. "Como era mesmo seu nome", perguntei. E rimos. E fiquei olhando. Achei diferente. E o desejei, achei bonito, quis pra mim. De onde será que ele veio? Mas como a música que tocavam era meditativa, observei esse desejo e deixei passar. E vi. Que não o conheço, que nunca o conhecerei, mas que o agradeço profundamente por essa alma que ele é me ajudar tanto a dançar quando toca música e a perceber sombras e ilusões e por me dar tanto carinho em meio a meus medos. E agradeci muito por ele não ser meu. E por saber que, se um dia tivermos filhos, não serão meus, nem dele. E que se ele fizer algo que com o que não concordo, é a história dele. E que ele é livre pra viver. E que quero viver livre pra viver com ele sim, pois nos ajudamos a perceber que não nos conhecemos, e que não somos donos de nada nem de ninguém, graças à Deus e à Deusa. e preparamos boa comida juntos. e nos ajudamos a ser bons instrumentos. E que não sabemos nem conhecemos nada. E bom, porque não é tão dificil pra mim gostar dele mesmo quando não amo ninguém. Que todos os seres sejam felizes. Que todas se casem com Shiva. Que todos se casem com a Kali. Que o desapego e o amor se casem dentro dos nossos corações. Que a vida dance feliz em nós, nos lembrando de que ser feliz é não saber nem ter nada, ainda que seja longo o caminho de desapego do que achamos que temos, ainda que às vezes seja difícil amar todo mundo e mais facil achar que você ama só uma pessoa e que serão felizes para sempre.

  • Facebook - Grey Circle
  • Google+ - Grey Circle
  • Instagram - Grey Circle
  • YouTube

bhadrahealing@gmail.com

whatsapp: +491771451803