Empoderamento da Mulher

:::Sobre empoderamento feminino::: Vai outro escrito, também do ♡. (Ando gostando de escrever:) Somos todos seres multi-dimensionais. Em níveis mais profundos, todos vamos além do gênero. Você não é um homem ou uma mulher ou um trans. Sua consciência está vivendo um sonho, um jogo, de que está em determinada situação. Essa desidentificação é uma chave, assim como a aceitação de que estamos nesse sonho por algum motivo (por escolha ou por karma, entenda como quiser). Amar profundamente o sonho, a ilusão, nos faz transcendê-lo. Então, aceitando essa situação de ser mulher num mundo ainda patriarcal, conto aqui algumas das ignorâncias sobre o feminino que observei que ainda carregava na mente, que tem a ver com minha história pessoal e com minha família, que como quase todas as outras famílias brasileiras, é inconscientemente machista. (To escrevendo num trem na Índia agora, sociedade muito machista também, mas ao meu ver, não mais do que a brasileira. O machismo brasileiro se disfarça melhor, mas é tão cruel quanto o daqui.) Outro dia conversei por telefone com minha avó querida. Adoro ela, temos muito muito carinho uma pela outra. Ela é muito inteligente e engraçada. Teve 13 filhos. Mas claro, foi criada numa cultura patriarcal e reflete isso em sua expressão. Ela sabia que eu estava namorando. E me disse: "segura esse namorado aí. Não muda de acampamento sem ele..." Escutei rindo, consciente que ela só quer o meu bem. Mas agora, vários dias depois, me veio essa frase dela... e a vontade de escrever esse texto. Acho muito bom honrar o sagrado masculino, amar e ser amada por um companheiro, ter relações saudáveis, namorar, compartilhar, etc. Acho lindo e uma bênção e quero isso pra mim. Mas nenhuma mulher precisa estar ao lado de um homem para ser feliz. Esse programa dos filmes de hollywood, o "encontre sua alma gemea e seja feliz pra sempre" é tão arraigado na sociedade e gera tanto sofrimento e injustiça... A felicidade de verdade está dentro do coraçãaaao e não depende de nada externo. Nosso trabalho é descobrir e experimentar issooo. Rs... Acabei 'mudando de acampamento' e voltei antes do que ele pra Índia, pra aprofundar nas minhas práticas e estudos aqui. E a caminho do ashram da minha mestra fui recusada em alguns hotéis por ser uma mulher desacompanhada. (India só tem sentido nos seus mega-portais e pés dos mestres. Muita alma se realizou aqui. Mas socialmente é um caos lamentável.) E com toda essa reflexão me veio também um comentário que ouvi do meu pai há anos. Na época respirei fundo e deixei passar. (Mas tem coisa que deixa falsas crenças no inconsciente, vamos limpando.) Escutei ele falando, “depois dos 30 a mulher vai ficando velha pro mercado do casamento”. Como assim? Meu pai tem um grande coração. É uma pessoa muito legal que busca evoluir sempre. O que escutei ele dizer é só expressão de uma crença social forte. Por isso o mercado de cosméticos cancerígenos, mercantilização do corpo... muitas mulheres acham que ser amada é ser valorizada por sua juventude e beleza, muitas vezes artificial. E sofrem por envelhecer ou por não pertencerem a um padrão. E fazem de tudo, inclusive mentir pra si mesmas, pra ficar ao lado de um homem. E assim esquecemos que não somos o corpo, somos canais da expressão da essência e que todo tempo é tempo de encontrar boas parcerias. Que a beleza é mais profunda que um padrão, que o embelezar-se é uma arte divertida. Que o casamento, muito mais que um negócio, deve ser uma alquimia, uma prática espiritual, uma cooperação pra cuidar da terra e evoluir. Um exercício de liberdade. E assim, nesse esquecimento, muitos casais concebem, parem e criam filhos. Concepções inconscientes. Seguindo programas. E esses filhos crescem cheios dessas crenças distorcidas, desconectados também da essência e da liberdade, sem saber quem são.E assim vamos. Em meu caminho de cura, é essencial me recordar todo dia (yoga) que sou um ser completo, que levo leve dentro de mim todo o universo. A Grande Deusa em meu coração. Nessa completude, há encontros, acordos, interdependências, revelações e muuuuita, mas muuuuuuita, desconstrução pra fazer nessa Terra. Outro ponto importante nesse caminho da cura e reconexão é sair dos pensamentos da vítima, da submissão aos ideais patriarcais. E da raiva dos homens e da sociedade. Muita desprogramação e abertura. Por mais que tenhamos passado por machismos, abusos e explorações, isso é uma lição e um material de transmutação. Não somos vítimas. Somos criadoras. Despertar a curadora, corajosa. E amar muito. Às vezes é preciso estar no escuro pra descobrir a própria luz. Que não tomemos o gênero como uma identidade. Mas como ponte. Que nos ajudemos a perceber que somos completos. Pra que as mulheres (e homens) sejam reconhecidas e honradas como portais pro poder divino. Pra que a única companhia imprescindível pra uma mulher (ou pra um homem) seja a da Grande Deusa, que é Deus também. Jai Ma