Dor existencial e Karma Yoga

Hoje me senti em meio a processos internos tão dolorosos que não aguentei meditar depois do yoga físico. Aqui é um lugar forte, de curas da alma profunda, até se entregar pro silêncio por traz de todos os jogos da Deusa onde tudo é tão bom. Às vezes chega a ter 5mil pessoas aqui. É minha casa pelos últimos 4 anos e por mais um tempo indeterminado, ainda que eu tenha resistido a aceitar esse designo, por ter ansiedades que me puxam pra outros lugares. É um lindo lugar e essa é a vista do quarto onde moramos atualmente. É, diga-se de passagem, um lugar bem acessível economicamente. Bom, hoje uns marajás deram um título importante e tal de doutorado honoris causa pra Amma pelo serviço que ela faz pelo mundo, e teve uma cerimônia no começo bonita que depois me entediou. Bonita porque ela mulher negra pobre considerada louca rejeitada pela sociedade hoje reconhecida como uma gênia. Entediante porque minha mente feroz não tava domável pra eu ficar quieta. Então vim pra casa e no tempão na internet que gastei hoje, fui ficando chocada com tanta notícia ruim.. e realmente preocupada com a situação das sociedades e com a dor da natureza. E isso deixou minha mente ainda mais ativa e eu fiquei com preguiça de ir fazer meu serviço na agrofloresta. O ego detesta servir. Mas fui mesmo assim e dei uma enrolada lá, molhando as plantas e tchau. Minha mente fervendo. Daí andei por aí, falei um bocado, sentei uns minutos ao lado da Amma enquanto ela sempre abraça sem parar, e internamente gritei pra ela: "Amma, não sei que tipo de limpeza tá acontecendo dentro de mim, mas tá foda. Tá doendo. Me ajuda.". E saí. Daí vi uma placa: 'precisamos ajuda para lavar louças'. Eu não quis ir. Posso até dizer que decidi não ir. Já trabalhei lá, um lugar meio abafado, e sei qual é. Minhas pernas caminharam pra lá. Cheguei, vi muita gente, e perguntei: 'ainda precisam de ajuda?', com a esperança de ouvir um não. E sim, claro, precisamos. E lá estava eu secando, lavando, organizando, junto com mais de 10 pessoas (mais e mais vinham chegando), a montanha impressionante de louças. Quando vi as louças, pensei que fôssemos ficar horas. Mas foi chegando tanta gente,e tanta mais louça, que fui me animando de limpar tudo. Colaborei. E, de repente, bem mais rápido do que se poderia pensar, tava tudo limpinho. E o moço agradeceu tanto a todos que vieram, senão teriam os poucos comprometidos com aquele serviço de passar a noite alí. E me dei conta que também limpa estava minha mente. Me senti feliz, paz. E disse pra todos que se trabalhando em cooperação conseguirmos lavar rapidamente tanta louça, imagina se muita gente começar a cooperar no cuidado com o planeta. Talvez a Terra nem se auto-exploda. E senti, ao mesmo tempo, presença e esperança. Jay Ma