Confiança ao estar Mulher e Mãe

Estar mãe e mulher (acaba de voltar minha menstruação, menos de 4 meses após o parto) nesta época do sonho da humanidade é para a alma uma oportunidade de reconexão com a Confiança, tão perdida em nós humanidade desrespeitosa com a natureza.

Deus-Deusa é a Confiança.

Dentro da minha percepção, o Ser não é feminino nem masculino. O Ser é a União entre os gêneros, e o fim de toda dualidade e variedades. Uno. Paz. Vazio. Amor.

Mas sim há diferença entre humano mulher e humano homem, claro. Humanos cumprem seus propósitos ao reconhecer o Ser e assim se aceitam livres.

E o caminho desse reconhecimento é único para cada humano, e pode ter características mais femininas ou mais masculinas.

Chamo de "espiritualidade feminina" o caminho de reconhecimento do Ser que honra a devoção, a expressão, o prazer de viver (não é o hedonismo), a energia sexual, o ciclo menstrual, o cuidado com a Terra. Que honra as formas como instrumentos de lembrança da não-forma. O corpo como barco no rio do espírito.

A principal diferença entre gêneros é: mulheres temos ÚTEROS.(mesmo que fisicamente você o tenha perdido, ele ainda existe energeticamente). E o que é um útero? O espaço onde a não-forma ganha forma.

E por que ter um útero é tanto dom de confiança? Porque entregar uma forma ao mundo, ao parir, ao criar, ao expressar... é por si só um ato de devoção, de aceitação do mistério, do vazio, do amor. O que parimos é uma oferenda à não forma.

O apego nem sempre permite que esse propósito se manifeste, o apego cria o samsara. O apego é a falta de confiança. E tudo que toma forma (humano) está destinado e mais cedo ou mais tarde se dissolver na não-forma (ser).

Não há onde se segurar. A verdadeira confiança é confiar no vazio.

Há um risco, um perigo, uma ousadia muito poderosa em parir formas: não sabemos o que o mistério da Vida fará com essas formas até que elas se dissolvam de novo na não-forma, além do tempo. A confiança é a cura para o medo. E talvez o maior perigo/medo seja mesmo a dissolução, que não é a morte, nem a dor, mas a consciência imortal e eternamente agora feliz.

Um feminino saudável honra profundamente o masculino. Como a Lua só se vê graças ao Sol. O útero e o esperma. O espaço e o tempo. Dar peças ao jogo que nos faz evoluir só pelo simples prazer de Deus-Deusa brincando. A vida é sagrada.

Meu bebê confia na presença dos meus peitos, no meu calor e carinho para se aventurar no mundo da forma. Ele confia no feminino que eu sou agora. Sinto que para ele não foi facil (nem pra mim) assumir essa forma. Quando ele nasceu, parecia que era tão melhor ser tudo e nada, do que ser bebê.

Talvez nós dois almas tínhamos ainda medo do poder da Deusa que nos molda ao nos dar corpos.

E estamos humana mulher e humano bebê aqui agora para honrar essa Deusa, e criar e desapegar do que foi criado.

Percebendo que somos o eterno êxtase Shiva-Shakti.

Estamos aqui para voltar a confiar. E nos oferecemos à felicidade do Ser. Aceitando nossas formas impermanentes.

Estando presentes.

Coração.

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